sábado, 17 de outubro de 2009

Saber dosear a vida, entre trabalho, família e amigos, é das coisas mais complicadas que pode haver. Quando este equilíbrio não existe, acabamos por perder. Eu tenho perdido! A minha dedicação ao trabalho tem sido de 101%. Faço-o porque, além do privilégio que é fazer o que se gosta, odeio falhar. Até aqui tudo bem, não fossem alguns detalhes. Hoje, dia de folga, dei por mim a olhar para a agenda, por sinal vazia, sem nada para fazer. E quando digo nada, refiro-me a algo descontraído, divertido, como ir ao cinema, estar com amigos, jantar fora, sair, etc. O dia foi passado a vegetar frente à TV, com um olho aberto e outro semicerrado. Entre as horas que foram passando, troquei algumas mensagens, daquelas que nunca deixo de enviar às pessoas que me são queridas, esteja assoberbada de trabalho ou não. Curiosamente, não recebi um único convite. Se fiquei triste? Não, não fiquei. Isto é a prova de que ando a falhar. Ou será que não!? Não sei. Apenas sinto que sou cada vez mais a C., sempre a correr, com imensas coisas para fazer, sem tempo para nada. Esta é, com toda a certeza, a ideia que os outros têm de mim. E que é, em parte, acertada. Sinto um vazio imenso no campo social. Não tenho coragem de ligar seja a quem for, a fazer-me de convidada ou disponível. Não gosto de o fazer, e mesmo quando o faço sinto-me desconfortável. Atenção que não me estou a lamentar, apenas a exteriorizar algo que tenho vindo a sentir e que me deixa preocupada. Recorrendo a uma figura de estilo, diria que sou a verdadeira construtora civil, em pleno deserto. Ando a carregar baldes e baldes de areia, dia após dia, na tentativa de construir um oásis que, depois de concluído, não sei para que servirá, uma vez que ao meu redor não terei nada além do deserto onde me refugiu todos os dias.

Até amanhã ou depois!

10 comentários:

DIABINHOSFORA disse...

Coloca na tua agenda "jantar de amigos na tua casa"...depois será a vez deles:))
É assim que eu faço quando acho que ja ando afastada ha muito.

Beijo de bom fim de semana

S* disse...

Sabes... há que saber estabelecer prioridades e - de preferência - as prioridades correctas. A vida é bem mais do que trabalhar. ;)

Força querida *

ergela disse...

Estás a tornar-te uma trabalho-dependente, sem vida própria, isso como sabes é mau, quando tens uma folga do trabalho ficas desorientada sem saber o que fazer, tenta dianbolar por Lisboa, que tão linda está por estes dias, sobertudo as esplanadas, tens roteiros na net e, em praticamente em todos os semanários.

:) Beijos.Carpem Diem.

bela disse...

Temos que ver o que é realmente importante nas nossas vidas. Felicidades

Storyteller disse...

Há períodos da nossa vida em que andamos assim. Por acaso, também me encontro num desses períodos. Quero estar com as pessoas de quem gosto, mas entre as pipocas, o trabalho (de que tenho de andar sempre atrás, pois a vida de freelancer não é fácil), escrever sobre assuntos que não domino e o estudo que isso implica, os afazeres de casa, os pais idosos, etc..., resta muito pouco tempo para mim.
Queixo-me da minha vida? Não, não me queixo dela. Queixo-me é de mim, que não consigo (ou não faço o esforço) de encontrar um espacinho para dar atenção aos amigos. Sim, porque eles precisam de atenção.
Vais ver que daqui a um mês ou dois já estarás com outra disposição!

Korrosiva disse...

Se tens vontade de estar com os teus amigos ou familia não tens de te fazer de convidada, convida-os tu para tua casa, para sair.. ;)
Por vezes por não se dar esse passo em frente criam-se barreiras que com o tempo se tornam cada vez mais complicadas de ultrapassar.


beijinhoss

Lia disse...

como eu te percebo... depois do trabalho fico tão cansada e com a cabeça completamente em água que só tenho energia para dar atenção ao meu namorado. Depois qd tenho mais tempo livre, parece que tenho que recuperar as amizades todas mas fico meio inibida por já lhes ter dado tantos "cortes"

HannaH disse...

querida Only Words, eu tb ja passei por isso, e a dizer-te tenho apenas uma coisa: os verdadeiros amigos podem afastar-se um pouco, mas voltam sempre. basta sabermos estar qd é preciso e eles estarão lá para nos tb.
um beijinho grande

PB disse...

Mas se todos tomarem a mesma atitude, fica difícil. Não concordas?
Beijinhos

Miguel disse...

Há fases na vida assim.

Não é dramático.

Para a esmagadora maioria das pessoas é o trabalho que sustenta a vida. E vivemos um periodo em que se começa a dar realmente valor ao trabalho.

O resto virá normalmente. Não te preocupes muito.
Mas também não há mal em seres tu a iniciares um programa...

Olha, liga-me!

;)