
Até amanhã ou depois!

Vida minha
Por onde o vento se esgueira
Leve de tanto pesar
Uma pétala perdida
Um jardim por achar
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Caminho pelo passado
Ofereço quem sou
Banho a alma no mar
Grito o silêncio
Deixo-me embalar
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Meu mundo perdido
A força que me pagas
Sou parte da vontade
Nada mais que isso
Existo sem maldade
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Mão cerrada
Peito aberto
Sacio-me de luz
Serei um ser, apenas isso
Sigo a brisa, a que me conduz
CS
Até amanhã ou depois!
Perder alguém que nos é querido é das piores sensações, se não a pior de todas. É nestas alturas que nos fustiga a saudade. Sentimo-nos pequenos e impotentes perante a dor que carregamos. Os sentimentos não se controlam, não nestes momentos em que rejeitamos aceitar o inevitável adeus. Ontem partiu o meu terceiro avô. Não tenho o seu sangue, mas tenho gravado em mim as palavras sábias, os valores e o altruísmo que o caracterizavam. Foi e será sempre uma referência. Para ele todos tínhamos um fundo de bondade. Na sua vida não havia lugar a invejas, falsidades ou maledicências. Era um homem lutador, disponível, de olhar meigo e sempre de braços abertos. Da sua boca nunca ouvi um não. Amava incondicionalmente quem o rodeava. Era lutador, com um coração imenso, onde sei que tinha o meu lugar. Esteja onde estiver, quero acreditar que está bem e a olhar por todos aqueles que hoje choram a sua partida inesperada.
“Sei que nunca lhe disse que o amava, que nunca lhe agradeci por palavras a importância que teve no meu crescimento. Que mesmo mais distante, nos últimos anos, o via e sentia muita mais que um amigo. E que jamais esquecerei as sopas de leite com café que me fazia para o pequeno-almoço. Já vou tarde, mas ficarei sempre grata pelo carinho e a preocupação constante que tinha por saber de mim. Perdão pela minha ausência e por não ter sido mais do que o que fui. Obrigado por ter sido um avô presente, aquele que tantas vezes me carregou ao colo, tantas vezes me adormeceu, tantas vezes me contou histórias, tantas vezes me acenou para dizer até logo! Até já tio Sebastião (era assim que o tratava)...”
Até amanhã ou depois!