quarta-feira, 7 de maio de 2008

Alentejo

No Alentejo sacia-se o olhar, o tacto, o gosto e o paladar. Dizem que é o tesouro escondido de Portugal, mas um tesouro fácil de descobrir.
É com toda a certeza uma descoberta aprazível aos cinco sentidos. A ruralidade traça-lhe o jeito. E os vestígios de vidas passadas conferem-lhe o traço. O património é vasto. Da arqueologia se pode falar, seja de antas, aquedutos, grutas ou cidades fortificadas silenciadas pelo tempo.
Um olhar mais atento depressa junta o megalítico ao romano, a tradição árabe à judia, o património religioso ao património natural. É assim o Alentejo, onde várias culturas se cruzam. É terra de romanos, mas também chão outrora de mouros. Os mesmos mouros arquitectos das típicas ruelas e dos famosos tapetes de Arraiolos.
Das imponentes igrejas, castelos e centros urbanos, o Alentejo exibe sem modéstia o legado conquistado por quem já partiu, mas deixou marcas na alma das gentes que vivem devagar, como se deleitassem cada momento que o tempo ameaça apagar. O mesmo tempo que passa pelas adormecidas fortificações do Guadiana, Elvas, Mértola e Marvão.
O povo das extensas planícies douradas, dos montes, da serra e do mar, preservam a sua religiosidade. As edificações religiosas mantêm-se, na sua maioria preservadas e visitáveis.
Falar do Alentejo é falar dos 165 quilómetros de costa. Calcorrear Troía até Odemira. Aproveitar o extenso areal de 47 quilómetros a norte, ideal para o forasteiro banhista.
Mais agreste, a zona sul costeira apresenta cenários convidativos ao recatamento, entre falésias e o mar. A natureza preservada é ponto de passagem e menção obrigatória. Existem 3 parques naturais e uma reserva natural. Esta última, a do Estuário do Sado. Os parques são o Vale do Guadiana, Sudoeste Alentejano e Costa Vincentina e Serra de São Mamede. Atractivos de excelência são as condições naturais que a região oferece, como é o caso de Montargil até Santa Clara, para a prática de desportos da natureza. Os vários cenários de albufeira proporcionam momentos de comunhão com a mãe-natureza, seja em passeios de canoagem, como em passeios a pé ou a cavalo.
Existem, nesta pátria plantada no coração de Portugal, hábitos, costumes e culturas que assinam a região.
Das velhas artes, ainda trabalham as mãos sábias que dão vida ao artesanato por muitos cobiçado, como os tapetes de Arraiolos ou os tapetes de tear, naturais de Portalegre. Do barro, moldado pelos dedos de quem sabe, nascem as loiças de Nisa e os pratos do Redondo. Deste extenso cardápio também vigoram as rendas, os vimes ou os cobres.
Pelo estômago se aguça a vontade. A cozinha alentejana herdou saberes e sabores apetecíveis, proporcionando um dos maiores prazeres da vida. O pão é rei, sempre presente nas açordas, migas, fatias douradas e ensopados. E o azeite é imprescindível na confecção de grande parte dos pratos que, por norma, emanam o aromatizado de ervas de cheiro.
Nas entradas, queijos e vinhos alentejanos, o fumeiro tradicional e muita vontade de degustar, lentamente, cada uma destas iguarias. Só assim se sabe o Alentejo.
Nem sempre a mesa foi farta na casa do povo alentejano, mas hoje, onde a míngua de outros tempos imperou, os repastos são senhores de uma cultura sem fim.

Ass: CS






Imagens CS

Até amanhã ou depois!

1 comentário:

Manga Limão disse...

Ele há coisas que nunca mudam!!!Este é daqueles textos que me dão logo vontade de trabalhar!Bons tempos!Tu guarda-me estas sábias palavras, reza para que ninguém se adiante e um dia destes ainda fazemos um filme.Ainda n perdi esperanças ;)