Todas as manhãs o ritual repete-se. Hoje não foi excepção. Pouco faltava para o relógio marcar 11 horas quando acordei de uma noite de sono ténue. Levantei-me, depois de mimar as duas felinas que todas as noites me fazem companhia. Confiante que lá fora o sol brilharia, levantei os estores do quarto, da sala e da cozinha, mas foi triste a surpresa. O dia apresentou-se fosco, sem brilho, pesado e solitário. Ainda adormecida, coloquei a chaleira ao lume e o pão na torradeira. Enquanto a água fervia e o pão torrava, fui ligando o portátil e a TV. Sentada frente aos monitores, tomei o pequeno-almoço enquanto verifiquei os emails e visitei algumas páginas Web.
Hoje é domingo e até havia muito para fazer, mas a vontade era pouca ou nenhuma. Pensei em ir ao cinema, passear, sair de casa. Mas do querer ao fazer vai um extenso caminho, tão comprido ou tão curto que faltaram as forças e o incentivo para o palmilhar. Há dias assim, feitos de contradições. O Homem é o paradoxo materializado. Eu serei, com toda a certeza, dos Seres mais complexos que conheço. Ainda que alguém o sinta, sou eu que o digo, que o sinto e reconheço. Enquanto isso, deixo-me ir, por aí!
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